ANO
2011
LOCALIZAÇÃO
Gaibandha, Bangladesh
CATEGORIA
Instalações e estruturas
Descrição do projeto fornecida pelo arquiteto.
O Friendship Centre, perto da cidade distrital de Gaibandha, no Bangladesh, destina-se a uma ONG que trabalha com algumas das pessoas mais pobres do país, que vivem sobretudo em ilhas fluviais (chars), com acesso e oportunidades muito limitados.
A Friendship utiliza as instalações para os seus próprios programas de formação e também as aluga para reuniões, ações de formação, conferências, etc., como fonte de receitas.
O terreno baixo, situado na zona rural de Gaibandha, onde predomina a agricultura, está ameaçado por inundações caso o dique que circunda a cidade e a periferia se rompa.
Um programa extenso, com um orçamento muito limitado, significava que elevar as estruturas acima do nível de inundação (uma altura de oito pés) não era uma opção: quase todo o orçamento disponível seria gasto abaixo da cota do terreno. O facto de se situar numa zona sísmica e a baixa capacidade de carga do solo siltoso acrescentavam outras complicações.
O terceiro e último projeto recorre a um dique envolvente para proteção contra inundações, construindo diretamente sobre o solo existente, em alvenaria portante.
A água da chuva e o escoamento superficial são recolhidos em tanques interiores e o excedente é bombeado para um lago escavado, que também será utilizado para a piscicultura.
O projeto baseia-se na ventilação e no arrefecimento naturais, facilitados pelos pátios e tanques, bem como pela cobertura de terra dos telhados.O bloco ‘Ka’ contém o pavilhão de receção, escritórios, biblioteca, salas e pavilhões de formação/conferências, um espaço de oração e uma pequena casa de chá.
O bloco ‘Kha’, ligado por três arcadas, destina-se a funções mais privadas e alberga os dormitórios, o pavilhão de refeições e os alojamentos do pessoal e das famílias.
A lavandaria e o abrigo de secagem situam-se do outro lado do lago. Não há ar condicionado e toda a iluminação é feita com LED e lâmpadas energeticamente eficientes.
Tal como na construção, também na conceção — o complexo do centro ergue-se e existe como um eco de ruínas, vivo com a memória dos vestígios de Mahasthan (século III a.C.), a cerca de sessenta quilómetros de distância.
Construídos e acabados sobretudo com um único material — tijolos locais feitos à mão —, os espaços são tecidos por pavilhões, pátios, tanques e áreas verdes; corredores e sombras. A simplicidade é o objetivo; a sensação é monástica.
O centro serve e reúne algumas das pessoas mais pobres do país e — por extensão — do mundo; contudo, na extrema limitação dos meios, procurou-se o luxo da luz e das sombras, da economia e da generosidade dos pequenos espaços; da alegria do movimento e da descoberta no despojado e no essencial.

















